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Sergipe volta ao mapa nacional de fertilizantes com retomada da Fafen pela Petrobras

Após três anos hibernada, fábrica da Petrobras em Sergipe está nos preparativos finais para retomar atividades com a maior capacidade produtiva do Nordeste

A Petrobras está nos preparativos finais para reativar a produção de fertilizantes nitrogenados em duas unidades no Nordeste brasileiro. O reinício das operações nas fábricas localizadas na Bahia e em Sergipe deve ocorrer ainda em janeiro de 2025, segundo confirmou à Reuters o diretor-executivo de Processos Industriais e Produtos da estatal, William França.

A retomada antecipa o cronograma inicialmente divulgado em outubro pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que havia indicado o início de 2026 como prazo para o restart das atividades, sem precisar uma data mais detalhada.

A decisão de voltar a investir na produção de fertilizantes atende a uma solicitação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem como objetivo estratégico reduzir a dependência externa do agronegócio brasileiro em relação aos insumos agrícolas. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, mesmo sendo um dos maiores mercados mundiais do produto.

Capacidade produtiva e produtos comercializados

A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE) possui capacidade instalada para produzir 1,8 mil toneladas de ureia diariamente, além de comercializar amônia, gás carbônico e sulfato de amônio. Já a Fafen-BA, na Bahia, tem potencial para fabricar 1,3 mil toneladas de ureia por dia, com portfólio que inclui também amônia, gás carbônico e Arla 32 (agente redutor líquido automotivo).

Ambas as plantas estavam paralisadas desde 2023, depois de terem sido arrendadas para a Proquigel em 2019 e, posteriormente, para a Unigel. As dificuldades financeiras das arrendatárias resultaram na hibernação das fábricas, que retornaram ao controle direto da Petrobras neste ano.

Integração com a cadeia de gás natural

A reativação das unidades faz parte do plano de negócios da estatal, que busca “capturar valor com a produção e a comercialização de produtos nitrogenados, conciliando com a cadeia de produção de óleo e gás natural e a transição energética”. Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, são amplamente utilizados na agricultura e dependem de matéria-prima derivada do gás natural, recurso produzido pela própria Petrobras.

Em agosto do ano passado, a companhia já havia dado o primeiro passo na retomada do setor ao reativar a Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, em evento que contou com a presença do presidente Lula. Aquela unidade estava fechada desde 2020.

Impacto econômico e geração de empregos

A volta das operações no Nordeste representa não apenas um avanço na autossuficiência do setor agrícola nacional, mas também promete gerar empregos diretos e indiretos nas regiões onde as fábricas estão instaladas, fortalecendo a economia local e a cadeia produtiva de fertilizantes no país.

Com a reativação das três unidades — Paraná, Bahia e Sergipe —, a Petrobras reforça sua presença no mercado de fertilizantes e contribui para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

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