Considerado um dos maiores do Brasil, evento na Grande Aracaju ocorrerá entre 4 e 11 de janeiro de 2026, impulsionando turismo e valorizando o rico patrimônio sergipano.
Com o apoio essencial do Governo de Sergipe, o município de Laranjeiras, localizado na Grande Aracaju, anuncia a realização do 51º Encontro Cultural de Laranjeiras. Agendado para ocorrer entre os dias 4 e 11 de janeiro de 2026, o evento é amplamente reconhecido como um dos maiores encontros culturais do Brasil. Sergipe, mais uma vez, se posiciona no cenário nacional ao sediar esta celebração que congrega manifestações populares, estudos aprofundados e práticas da folkcomunicação, a comunicação popular.
Além de uma vasta programação musical que contará com artistas locais e nacionais, prometendo atrair um grande público, o Encontro Cultural oferece aos visitantes – que incluem pesquisadores, turistas e moradores de diversas regiões do estado – a oportunidade de explorar os inúmeros atrativos turísticos do município ao longo dos oito dias de evento.
Daniela Mesquita, secretária de Estado do Turismo, ressalta a importância do encontro, afirmando que ele reafirma Laranjeiras como um pilar na preservação e difusão do patrimônio cultural e imaterial brasileiro, valorizando as tradições ancestrais. “O Encontro Cultural de Laranjeiras é um espaço vital de troca de saberes e de fortalecimento das culturas populares. A programação, cuidadosamente elaborada para integrar pesquisa e espetáculo, mantém o caráter histórico do encontro, transformando-o em uma experiência única com a participação de mestres da tradição. Isso reafirma nosso papel como espaço de celebração das identidades sergipana e brasileira”, destaca Mesquita.

A secretária enfatiza ainda o impacto positivo do evento no turismo local, aproveitando a arquitetura marcante de Laranjeiras, com suas igrejas centenárias, museus, casarões históricos e as paisagens pitorescas às margens do Rio Cotinguiba. Ela aponta que o evento também convida os visitantes a desfrutarem da rica gastronomia local, que mistura tradições afro-brasileiras e nordestinas em pratos à base de frutos do mar e do rio, como peixe, camarão e caranguejo, além de uma variedade de doces. “O artesanato local também é evidenciado, com peças em cerâmica, madeira, palha, tecido, bordados e objetos decorativos que narram o cotidiano, a religiosidade e as manifestações culturais da cidade”, complementa.
Laranjeiras: Berço e Guardiã da Cultura Sergipana
Projetada nacionalmente, Laranjeiras fortalece seu papel como território de memória, tradições e identidade cultural, consolidando-se como um vibrante espaço de vivência cultural. A 51ª edição do Encontro Cultural traz uma programação robusta, com destaque para as apresentações de grupos folclóricos como o samba de pareia, reisado, taieira, cacumbi e outras expressões que formam a essência da identidade sergipana. A agenda inclui ainda cortejos, oficinas, mesas de debate, exposições, espetáculos teatrais e shows musicais.

A cidade histórica, reconhecida como berço da cultura sergipana, possui um conjunto arquitetônico e urbano tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Seus diversos edifícios coloniais, como igrejas e monumentos, retratam a história e a cultura locais, fazendo dela um importante polo turístico e cultural, fiel à memória e identidade de Sergipe.
Entre os monumentos mais visitados estão as inúmeras igrejas, como a Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, do século XVIII; a Igreja Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, edificada pelos jesuítas; a Igreja Senhor do Bonfim, do século XIX, com sua arquitetura colonial; e a Igreja Nossa Senhora da Conceição dos Homens Pardos.
Mais Tradição e Memória
O Centro Histórico da cidade, com suas ruas de paralelepípedo, é repleto de edificações que contam a história do município. Destacam-se os Trapiches do século XIX, que hoje abrigam a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e o Mercado Municipal. A Casa de Cultura João Ribeiro é um espaço dedicado à pesquisa, guardando todo o acervo do jornalista, crítico literário, filólogo, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), João Ribeiro, que nasceu em Laranjeiras em 1860.
A cidade também abriga o Museu de Arte Sacra, em um imóvel do século XIX, com um vasto acervo de imagens sacras, mobiliário, documentos e porcelanas dos séculos XVII ao XX. A Casa do Folclore Zé Candunga celebra a cultura e as manifestações do folclore laranjeirense, como os Lambe-sujo e Caboclinhos, festa tradicional de outubro. A Casa do Artesanato, por sua vez, exibe a produção local, com ênfase na renda irlandesa, Patrimônio Cultural e Imaterial de Sergipe.
Outro ponto de destaque do município é a comunidade quilombola do Povoado Mussuca. Conhecida por sua rica herança cultural e histórica, a comunidade é formada por descendentes de africanos escravizados, que preservam tradições culturais, religiosas e sociais que remontam aos tempos da escravidão. A Mussuca é célebre pelo Samba de Pareia, uma dança tradicional que simboliza a resistência e a identidade cultural dos quilombolas da região.



