Plano prevê a retirada de 26 plataformas na Bacia Sergipe-Alagoas, com impactos logísticos, ambientais e econômicos estimados em bilhões de dólares
Um estudo técnico apresentado durante o Workshop de Descomissionamento das Plataformas da Bacia Sergipe-Alagoas realizado nesta quarta-feira 25, indica que Sergipe reúne condições logísticas, infraestruturais e operacionais favoráveis para se tornar um dos principais polos nacionais na execução do descomissionamento de unidades de produção de petróleo offshore. A análise foi elaborada pela FGV Energia, a partir de levantamento contratado pela Agrese e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia.
O estudo avalia os impactos do plano de desativação de 26 plataformas localizadas na Bacia Sergipe-Alagoas, processo que deve se estender até 2035. A estimativa é de que as atividades de descomissionamento movimentem aproximadamente US$ 2,5 bilhões, envolvendo desmontagem de estruturas, logística portuária, destinação de resíduos, recuperação ambiental e contratação de serviços especializados.
Infraestrutura e logística
De acordo com o levantamento, a localização estratégica de Sergipe, aliada à disponibilidade de portos, estaleiros, malha rodoviária e proximidade das áreas de produção offshore, favorece a concentração das operações no estado. O cenário tende a estimular a diversificação da cadeia de fornecedores e a atração de empresas nacionais e internacionais especializadas em engenharia, meio ambiente, transporte e serviços marítimos.
O estudo também destaca a sinergia entre o descomissionamento e projetos estruturantes do setor de energia, como o Sergipe Águas Profundas (SEAP), considerado uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás natural no país.
Projeto Sergipe Águas Profundas
Desenvolvido pela Petrobras, o SEAP está localizado na Bacia Sergipe-Alagoas e tem previsão de início de produção em 2030. Quando em operação plena, o projeto deverá ofertar 240 mil barris de petróleo por dia e 18 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, além de contar com gasoduto próprio para escoamento da produção.
O empreendimento está dividido em dois módulos. O SEAP 1 engloba campos como Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta. Já o SEAP 2 inclui jazidas nos campos de Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste. O investimento total previsto ultrapassa US$ 5 bilhões, conforme planejamento estratégico da companhia.
As duas plataformas do tipo FPSO tiveram seu processo de licitação concluído no modelo BOT (Build, Operate and Transfer), no qual o operador assume temporariamente a operação das unidades após a construção, com posterior transferência definitiva para a Petrobras.
Gás natural e integração regional
Outro ponto relevante é a ampliação da infraestrutura de transporte de gás. Em 2024, foi concluída a interligação entre o terminal de GNL da Usina Termoelétrica Porto de Sergipe I e a malha da Transportadora Associada de Gás (TAG), com capacidade para escoar até 14 milhões de metros cúbicos por dia. A conexão amplia a segurança energética e favorece o abastecimento regional no Nordeste.
Paralelamente, está em desenvolvimento o projeto do Hub de Gás de Sergipe, que prevê a integração de iniciativas como estocagem subterrânea, planta de liquefação e eventual refinaria, com o objetivo de consolidar o estado como polo logístico e industrial do setor.

Impactos operacionais e ambientais
O descomissionamento envolve a retirada definitiva de estruturas após o fim da vida útil ou inviabilidade econômica das plataformas. O processo inclui desmontagem, transporte, destinação ambientalmente adequada de resíduos e recuperação das áreas impactadas.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o planejamento técnico é fundamental para garantir segurança operacional, conformidade ambiental e eficiência logística. Atualmente, as operações de descomissionamento em Sergipe demandam cerca de 430 profissionais por dia, de diferentes especialidades, exigindo coordenação integrada entre equipes, fornecedores e operadores.
Perspectivas para a cadeia produtiva
A expectativa do setor é que a combinação entre descomissionamento, expansão da infraestrutura de gás e novos projetos offshore impulsione a qualificação da mão de obra, fortaleça a indústria local e amplie a participação de Sergipe na matriz energética nacional. O cenário também tende a estimular investimentos privados e consolidar uma cadeia produtiva de longo prazo associada à transição e à segurança energética.


