Categoria aprova paralisação por tempo indeterminado e cobra retomada das negociações com o governo; ato marca início da mobilização em Aracaju.
A greve dos professores da rede estadual de ensino de Sergipe começou nesta segunda-feira (9) após decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) que manteve a legalidade do movimento. A paralisação foi aprovada pela categoria em assembleia realizada na última quinta-feira (5), em Aracaju.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese), o primeiro ato do movimento paredista ocorre em frente à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), na capital sergipana. A mobilização reúne educadores que reivindicam a retomada das negociações com o Governo do Estado.
Segundo o presidente do Sintese, professor Roberto Silva, a decisão do Judiciário representa um recado para que o governo estadual retome o diálogo com o magistério. “Entendemos que a decisão reforça a necessidade de negociação com a categoria”, afirmou.
A greve foi aprovada após, segundo o sindicato, o governo encerrar de forma unilateral as tratativas iniciadas em 2025. Entre as principais reivindicações dos professores estão a valorização profissional, a retomada da carreira do magistério e o descongelamento de gratificações.
Antes do início da paralisação, o Governo do Estado entrou com uma ação no Tribunal de Justiça solicitando a declaração de ilegalidade da greve. No entanto, o pedido foi negado pela Justiça.
Após a assembleia que aprovou a paralisação, os professores realizaram uma passeata até a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). No local, o sindicato protocolou um ofício solicitando que os deputados estaduais atuem como mediadores para reabrir o diálogo entre a categoria e o governo.
Durante o ato, os educadores fizeram um abraço simbólico ao prédio da Assembleia Legislativa. A ação, segundo o sindicato, teve como objetivo chamar a atenção do parlamento para a situação enfrentada pelos profissionais da educação no estado.
Reivindicações da categoria
O Sintese afirma que o magistério sergipano acumula perdas salariais ao longo dos últimos anos. De acordo com o sindicato, a defasagem nas remunerações chega a mais de 54% devido ao congelamento de gratificações e mudanças na carreira.
A entidade também aponta que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) determinam a retomada da carreira do magistério e o descongelamento de gratificações, medidas que ainda estariam pendentes de implementação no estado.
Além das pautas salariais, os professores denunciam problemas estruturais em escolas da rede estadual, como dificuldades no fornecimento de água, falta de profissionais de apoio para estudantes com deficiência, falhas no transporte escolar e limitações na qualidade da internet utilizada nas unidades de ensino.
O que diz o governo
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação informou que lamenta a deflagração da greve. A pasta afirmou que as 319 escolas da rede estadual seguem abertas, oferecendo suporte pedagógico e alimentação escolar aos estudantes durante o período de paralisação.
A secretaria destacou ainda que, nos últimos três anos, foram registrados avanços nas negociações com a categoria, incluindo medidas relacionadas à retomada da carreira, incorporação de abono e melhorias na infraestrutura das escolas.
Com informações do portal: https://sintese.org.br/



