Em entrevista exclusiva à Rio FM, prefeita de Aracaju reconstrói bastidores da ruptura com aliados, explica exonerações na gestão e aponta incompatibilidade política e administrativa com o vice-prefeito.
Entrevista conduzida com rigor jornalístico revela bastidores da crise política
A entrevista concedida pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, ao jornalista e radialista Alex Azevedo, da Rio FM, trouxe à tona uma série de revelações sobre os bastidores da política sergipana.
Com condução considerada firme, profissional e ética, Alex Azevedo permitiu que a prefeita apresentasse sua versão dos fatos diante das recentes declarações públicas e do aumento das tensões dentro do agrupamento político de oposição no estado.
O jornalista Roberto Verona, do Portal Território Nordeste, teve acesso à íntegra da entrevista gravada e realizou uma análise detalhada do conteúdo. A partir desse material, Verona organizou os principais pontos da conversa, destacando os momentos mais relevantes e as declarações que ajudam a compreender o atual cenário político.
Ao longo da entrevista, Emília Corrêa abordou desde a construção histórica do grupo político até os conflitos mais recentes com o deputado federal Rodrigo Valadares e com o vice-prefeito Ricardo Marques.
A tentativa de manter o grupo unido
Um dos pontos centrais da entrevista foi a defesa que Emília Corrêa fez da sua atuação como articuladora política dentro do grupo de oposição.
Segundo a prefeita, desde as eleições de 2020 houve um esforço permanente para manter a unidade entre as lideranças políticas. Naquele momento, ela relembrou ter apoiado diretamente a candidatura de Rodrigo Valadares à Prefeitura de Aracaju.
A prefeita afirmou que participou ativamente daquela campanha, realizando atos políticos e mobilizações eleitorais.
Ela também recordou que, nas eleições de 2022, o grupo voltou a caminhar junto em projetos eleitorais, reforçando a ideia de um campo político unificado.
De acordo com Emília, em diversos momentos foi necessário atuar como mediadora de conflitos internos.
“Eu lutei pela unidade do grupo em todos os momentos. Inclusive quando havia resistência ao nome de Rodrigo, fui eu quem defendeu sua permanência no projeto”, afirmou.
O início do desgaste político
Apesar do histórico de parceria, a prefeita apontou que alguns episódios acabaram provocando fissuras dentro do agrupamento.
Entre eles está o processo de mudança no comando do Partido Liberal em Sergipe. Segundo Emília, a decisão foi conduzida sem diálogo com as demais lideranças do grupo político.
Ela relatou que foi apenas comunicada de uma decisão que já estava tomada.
Para a prefeita, a forma como o processo ocorreu acabou desorganizando o ambiente político interno.
Mesmo assim, Emília afirma que continuou defendendo o nome de Rodrigo Valadares dentro do grupo, inclusive enfrentando críticas de aliados.
A surpresa com o anúncio de candidatura independente
A prefeita também afirmou que foi surpreendida ao assistir a um vídeo em que Rodrigo Valadares anunciava sua pré-candidatura ao Senado em um movimento considerado independente.
Segundo ela, aquele episódio deixou claro que o parlamentar estava seguindo um caminho político próprio.
Emília disse que interpretou o gesto como um sinal de rompimento com o projeto coletivo que vinha sendo construído.
“Ali eu entendi que ele estava caminhando para uma candidatura independente”, declarou.
A polêmica sobre suposto isolamento político
Outro ponto levantado durante a entrevista foi a declaração de Rodrigo Valadares e do vice-prefeito Ricardo Marques de que estariam sendo “escanteados” dentro do grupo político.
Emília Corrêa contestou essa versão.
Segundo a prefeita, havia divergências internas naturais, principalmente após o episódio envolvendo o comando do partido, mas elas estavam sendo trabalhadas politicamente.
A gestora afirmou que vinha realizando reuniões com lideranças de diferentes partidos aliados, incluindo o Republicanos e o Podemos, com o objetivo de reorganizar o grupo e reconstruir um ambiente de diálogo.
Para ela, a decisão de seguir por um caminho político próprio já estaria tomada antes mesmo das conversas serem concluídas.
Exonerações após o agravamento da crise
A entrevista também trouxe esclarecimentos sobre as exonerações realizadas na estrutura da Prefeitura de Aracaju.
Entre elas está a saída da ex-secretária da Família e da Assistência Social, Simone Valadares, mãe do deputado Rodrigo Valadares.
Emília Corrêa fez questão de reconhecer o trabalho da ex-secretária durante sua passagem pela pasta.
“Ela foi uma excelente secretária, muito dedicada. A decisão foi política e administrativa”, afirmou.
Segundo a prefeita, quando há rompimento político entre aliados, a reorganização da estrutura administrativa torna-se inevitável.
Ela afirmou que seria inviável manter dentro da gestão representantes ligados diretamente a um grupo político que decidiu seguir outro caminho.
Conflitos institucionais com o vice-prefeito
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando a prefeita abordou sua relação com o vice-prefeito Ricardo Marques.
Segundo Emília Corrêa, o vice teria passado a encaminhar ofícios e memorandos diretamente a secretários municipais solicitando providências administrativas.
Para a prefeita, esse tipo de atitude não faz parte das atribuições institucionais de um vice-prefeito.
Ela explicou que, pela legislação brasileira e pela Lei Orgânica do município, o vice exerce funções executivas apenas quando substitui o prefeito em caso de ausência.
“Um vice-prefeito não pode emitir determinações administrativas para secretários. Isso não existe na estrutura da gestão pública”, afirmou.
Segundo Emília, esse tipo de situação vinha sendo tolerado desde o período de transição do governo.
Mudanças no gabinete do vice
Dentro desse contexto, a prefeita confirmou que também ocorreram mudanças na estrutura administrativa ligada ao gabinete do vice-prefeito.
De acordo com ela, as exonerações seguiram o mesmo critério adotado em outras áreas da gestão: a incompatibilidade política entre os grupos.
Emília afirmou que não faria sentido manter na estrutura da prefeitura equipes vinculadas a um projeto político que passou a disputar espaço contra o próprio governo municipal.
“Como manter uma estrutura política funcionando contra o próprio governo?”, questionou.
Respeito institucional e liderança feminina
A prefeita também destacou que sua gestão sempre procurou garantir condições adequadas de funcionamento ao gabinete do vice-prefeito.
Segundo ela, a administração municipal realizou melhorias estruturais no espaço destinado ao vice, demonstrando respeito ao cargo.
No entanto, Emília afirmou que o respeito institucional precisa ser recíproco.

Ela também citou as dificuldades enfrentadas por mulheres em cargos de liderança política.
Primeira mulher eleita prefeita da capital sergipana, a gestora disse perceber que, em alguns momentos, sua autoridade administrativa é questionada.
O futuro do grupo político
Apesar das divergências recentes, Emília Corrêa garantiu que o projeto político da oposição em Sergipe segue em construção.
Durante a entrevista, ela confirmou que o médico e ex-senador Eduardo Amorim permanece como nome do grupo para disputar uma vaga no Senado.
Já para o governo do estado, o principal nome em articulação segue sendo o do prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho.
Segundo a prefeita, novas definições devem ocorrer nas próximas semanas, com a consolidação das alianças partidárias.

“O povo quer trabalho, não briga política”
Encerrando a entrevista, Emília Corrêa afirmou que prefere concentrar seus esforços na administração municipal e evitar prolongar disputas políticas públicas.
Ela defendeu que a população analise a trajetória e as atitudes das lideranças políticas antes de formar opinião.
“O povo quer entrega e trabalho. Briga de ego não ajuda a cidade nem o estado”, concluiu.



