Declarações de Emília Corrêa e Alessandro Vieira convergem para decisão popular sobre área disputada com São Cristóvão por meio do PLP 6/2024
A definição sobre a quem pertence a Zona de Expansão, uma das áreas mais estratégicas da Grande Aracaju, entrou de vez no centro do debate político e social em Sergipe. O impasse, que se arrasta há décadas entre Aracaju e São Cristóvão, agora caminha para uma solução inédita: a decisão direta da população por meio de um plebiscito.

Em entrevista àa TV Atalaia nesta sexta-feira (20), a prefeita Emília Corrêa foi enfática ao defender que a capital tem histórico consolidado de atuação na região. Segundo ela, foram décadas de investimentos contínuos em serviços essenciais como saúde, educação, infraestrutura urbana e manutenção de vias públicas.
A gestora destacou que, apesar do alto custo mensal — superior a R$ 10 milhões, chegando a cerca de R$ 124 milhões por ano — a arrecadação de IPTU na região gira em torno de apenas R$ 2,2 milhões, evidenciando um desequilíbrio financeiro. Ainda assim, reforçou que o debate vai além dos números.
“Não é só sobre valores. É sobre pertencimento, identidade e vidas. A população se reconhece como aracajuana”, afirmou, ao questionar a ausência de iniciativas anteriores para realização de um plebiscito, classificando o cenário passado como omissão.
Caminho político avança em Brasília
No campo institucional, o debate ganhou força com a aprovação do PLP 6/2024, relatado pelo deputado Thiago de Joaldo (PP) na Câmara dos Deputados.

Agora, o senador Alessandro Vieira (MDB) assumiu a relatoria da proposta no Senado Federal. Em entrevista ao programa do jornalista Luiz Carlos Focca, na Rádio Metropolitana, nesta sexta-feira (20), o parlamentar reforçou o compromisso de dar celeridade à tramitação.

Segundo ele, a intenção é aprovar o projeto rapidamente no Senado, viabilizar a sanção presidencial e permitir que a Assembleia Legislativa de Sergipe organize o plebiscito. A expectativa é que todo o processo avance a tempo de incluir a consulta popular já nas próximas eleições.
Decisão popular e impactos diretos
Caso todas as etapas legais sejam cumpridas dentro do prazo, eleitores de Aracaju e São Cristóvão poderão votar simultaneamente para cargos políticos e também responder à pergunta central: a Zona de Expansão deve pertencer a qual município?



Obras em andamento reforçam a presença de Aracaju na Zona de Expansão e evidenciam anos de investimentos em infraestrutura. Fotos: Karla Tavares e Ronald Almeida
A área em disputa representa cerca de 11% do território envolvido e carrega implicações diretas na gestão urbana, arrecadação de impostos, planejamento de políticas públicas e qualidade de vida dos moradores.
Para o senador, o caminho mais democrático é permitir que a própria população decida. Ele também destacou que a indefinição territorial gera entraves administrativos, dificulta investimentos e impacta diretamente o cotidiano dos moradores.
Entre identidade e desenvolvimento
O debate evidencia uma questão sensível: de um lado, o argumento de investimentos históricos e vínculo social com Aracaju; do outro, a discussão territorial e administrativa envolvendo São Cristóvão.
Agora, com o avanço do processo legislativo, o desfecho deixa de ser apenas político e passa a ser democrático.
A palavra final tende a vir das urnas — e, desta vez, quem decide é quem vive a realidade da Zona de Expansão todos os dias.



