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Foto Montagem

Sanfona de oito baixos ganha protagonismo no Fórum do Forró e reforça raízes do gênero em Aracaju

Orquestra de Pernambuco, única do país dedicada exclusivamente ao instrumento, integra programação do XIX Fórum do Forró e destaca a preservação do forró tradicional no Nordeste

A sanfona de oito baixos, conhecida popularmente como “pé-de-bode”, volta ao centro das atenções em Aracaju durante o XIX Fórum do Forró, que acontece nos dias 11 e 12 de maio. Considerado um dos instrumentos mais emblemáticos da formação do forró, o oito baixos será tema de debates, apresentações e homenagens dentro da programação voltada à valorização das origens do gênero nordestino.

Antes mesmo de o forró ganhar projeção nacional, a sonoridade da sanfona de oito baixos já ocupava festas, feiras e encontros populares pelo interior nordestino. O instrumento tem funcionamento particular: opera por botões e exige domínio técnico do fole, já que cada nota muda de acordo com o movimento de abrir e fechar.

Essa característica deu ao instrumento um som marcante, cadenciado e direto, associado à construção da identidade musical do Nordeste e ao fortalecimento do chamado forró pé-de-serra.

Entre os destaques desta edição está a participação da Orquestra Sanfônica de 8 Baixos de Santa Cruz do Capibaribe, de Pernambuco, reconhecida como a única formação musical do país dedicada exclusivamente ao instrumento. O grupo reúne músicos especializados na preservação e expansão das possibilidades sonoras da sanfona sem romper com a tradição.

A presença da orquestra amplia o caráter regional do evento e reforça o intercâmbio cultural entre estados nordestinos em torno de um patrimônio musical compartilhado.

Um dos nomes centrais do grupo é Bento Zabumba, músico e luthier de Santa Cruz do Capibaribe, referência na fabricação e manutenção de instrumentos tradicionais e integrante da orquestra desde sua fundação, em 2007.

Bento Zabumba, músico e luthier de Santa Cruz do Capibaribe (PE) FOTO: Arquivo Pessoal

Segundo ele, a criação do grupo surgiu como resposta ao risco de desaparecimento gradual do instrumento.

“A orquestra nasceu para reunir tocadores de oito baixos, um instrumento que já estava em processo de extinção. A gente entendeu a responsabilidade de não deixar esse som acabar, porque ele carrega nossa cultura, nosso sertão e nossa identidade”, afirmou.

A apresentação da Orquestra Sanfônica acontece em 12 de maio, no Teatro Atheneu, dentro de uma programação dedicada ao resgate histórico do forró.

Além do show, o dia contará com debates sobre a trajetória do instrumento e sua relação com nomes históricos do gênero. Às 15h, ocorre a mesa “8 Baixos: A Origem do Forró”, com participação de Luizinho Calixto e Robertinho dos 8 Baixos. Já às 16h30, a programação segue com o encontro “Sergival e as Coisas do Caçuá”.

As apresentações artísticas começam às 19h, reunindo Robertinho dos 8 Baixos, a Orquestra Sanfônica e Sergival.

Ao apostar em uma programação focada na memória e permanência do forró tradicional, o Fórum reforça a discussão sobre preservação cultural em um momento em que ritmos nordestinos convivem entre tradição, mercado e reinvenção digital.

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