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Aracaju fica fora da lista das cidades mais violentas do Brasil; Anuário acende alerta para outro desafio em Sergipe

Capital sergipana não aparece entre os municípios com maiores índices de mortes violentas do país, mas estado registra a terceira maior taxa de letalidade policial do Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Um dos dados mais positivos para Sergipe no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), é que nenhuma cidade do estado figura entre as dez mais violentas do Brasil. A lista reúne municípios com mais de 100 mil habitantes e maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI), indicador que engloba homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Entre os municípios analisados, Aracaju ficou fora do ranking, que é formado exclusivamente por cidades do Nordeste. O resultado chama atenção porque a capital sergipana não aparece ao lado de municípios da Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba que concentram os maiores índices de violência letal registrados no país em 2025.

Apesar desse cenário, o Anuário deixa claro que a segurança pública sergipana continua enfrentando desafios relevantes. O principal deles é a letalidade policial, indicador em que Sergipe aparece entre os estados com os maiores índices do Brasil.

Aracaju fica fora do ranking nacional

O ranking divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública é liderado por Maranguape (CE), com taxa de 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem Eunápolis (BA) e Maracanaú (CE).

As dez cidades mais violentas do país em 2025 são:

  1. Maranguape (CE)
  2. Eunápolis (BA)
  3. Maracanaú (CE)
  4. Porto Seguro (BA)
  5. Simões Filho (BA)
  6. Jequié (BA)
  7. Caucaia (CE)
  8. Cabo de Santo Agostinho (PE)
  9. Santa Rita (PB)
  10. Juazeiro (BA)

O levantamento considera apenas municípios com população superior a 100 mil habitantes e divulga exclusivamente os dez maiores índices nacionais. Assim, o fato de Aracaju não integrar a relação significa apenas que a capital não está entre as dez cidades mais violentas do Brasil, sem indicar sua posição exata no ranking nacional.

O desafio de Sergipe está em outro indicador

Se a violência letal coloca Sergipe em situação diferente da observada em outros estados nordestinos, os números do Anuário revelam uma preocupação crescente em relação à atuação policial.

Segundo o levantamento, Sergipe registrou 193 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, alcançando uma taxa de 8,4 mortes por 100 mil habitantes. O índice é o terceiro maior do Brasil, atrás apenas do Amapá (17,1) e da Bahia (10,6), além de representar crescimento em relação ao ano anterior.

Na prática, isso significa que, embora nenhuma cidade sergipana esteja entre as mais violentas do país, o estado continua figurando entre aqueles onde a letalidade decorrente da ação policial mais chama atenção no cenário nacional.

Bahia concentra metade das cidades mais violentas

O levantamento também evidencia que o problema da violência letal permanece concentrado em parte do Nordeste.

A Bahia reúne cinco municípios entre os dez primeiros colocados — Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro — enquanto o Ceará aparece com três cidades: Maranguape, Maracanaú e Caucaia. Completam a lista Cabo de Santo Agostinho (PE) e Santa Rita (PB).

Estados mais violentos

Na comparação entre as unidades da Federação, o Amapá permanece como o estado com a maior taxa de Mortes Violentas Intencionais do país, com 42,5 mortes por 100 mil habitantes.

Na sequência aparecem:

  • Bahia – 36,8;
  • Ceará – 34,7.

Os menores índices foram registrados em Santa Catarina (7,6), São Paulo (7,8) e Distrito Federal (9,6).

O que o Anuário revela para Sergipe

A leitura dos dados mostra um cenário que merece análise sob diferentes perspectivas.

Por um lado, Sergipe não possui municípios entre as dez cidades mais violentas do Brasil, o que diferencia o estado de outras unidades do Nordeste que concentram os maiores índices de mortes violentas.

Por outro, o Anuário evidencia que a segurança pública sergipana continua enfrentando desafios importantes, especialmente no controle da letalidade policial. O documento reforça que os indicadores de violência devem ser analisados de forma integrada, considerando não apenas os homicídios, mas também fatores como atuação das forças de segurança, criminalidade organizada, tráfico de drogas, violência contra a mulher e crimes patrimoniais.

Para Sergipe, os números indicam que a ausência de municípios no ranking das cidades mais violentas representa um aspecto positivo, mas não elimina a necessidade de políticas permanentes voltadas à redução da violência e ao aperfeiçoamento das ações de segurança pública.

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