Cerimônia no Teatro Tobias Barreto marcou a apresentação pública da composição vencedora do concurso promovido pela Prefeitura; prefeita Emília Corrêa destacou que o novo símbolo fortalecerá o sentimento de pertencimento das futuras gerações
A capital sergipana viveu, na noite desta segunda-feira (27), um dos momentos mais emblemáticos de sua história cívica. Após 171 anos de fundação, Aracaju passou a contar oficialmente com um Hino Municipal, apresentado em cerimônia realizada no Teatro Tobias Barreto. Com a oficialização da composição, o município completa o conjunto dos seus principais símbolos institucionais, ao lado da bandeira e do brasão.
Reconhecido pela Lei Municipal nº 6.383, de 2 de julho de 2026, o hino foi escolhido por meio de concurso público promovido pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Cultura (Secult), em um processo que reuniu 38 composições avaliadas de forma técnica e anônima por uma comissão especializada.


A solenidade reuniu autoridades, músicos, representantes da cultura sergipana e a população, que acompanharam três interpretações da obra vencedora: executada pela Banda de Música do 28º Batalhão de Caçadores (28º BC), pelos intérpretes oficiais da composição e, em um momento especial da noite, pelos artistas Raquel Diniz e Lula Ribeiro.
Um símbolo para as futuras gerações
Durante entrevista concedida antes da cerimônia, a prefeita Emília Corrêa afirmou que a criação do hino representa um marco para a identidade cultural da capital e terá papel importante na formação cívica das novas gerações.
Segundo ela, o fato de Aracaju finalmente possuir um hino oficial permitirá que crianças aprendam a composição nas escolas e desenvolvam um sentimento de pertencimento semelhante ao despertado pelo Hino Nacional Brasileiro.

“Agora as crianças poderão cantar o hino nas escolas, aprender sua história e desenvolver esse sentimento de pertencimento. Assim como acontece quando cantamos o Hino Nacional, queremos fortalecer esse vínculo com Aracaju”, afirmou.
A prefeita também ressaltou que todo o processo ocorreu de forma democrática, com edital público e julgamento técnico das obras inscritas.
“Foi feito da maneira correta. Abrimos um concurso público, tivemos 38 participantes, uma comissão avaliadora e hoje estamos homenageando Aracaju com o seu hino oficial.”
Um hino pensado para permanecer
Questionada sobre a possibilidade de o novo símbolo ser alterado futuramente, Emília Corrêa demonstrou confiança na longevidade da obra.
Ela explicou que outras canções compostas em aniversários marcantes da cidade — como nos centenários e sesquicentenário de Aracaju — tiveram caráter comemorativo, mas nunca receberam reconhecimento oficial.
“Quando a cidade completou 100 anos ou 150 anos foram produzidas canções comemorativas. Agora é diferente. Este é o hino oficial de Aracaju, aprovado pela Câmara Municipal. Entendo que ele deve ser duradouro.”
A prefeita revelou ainda que a ideia de instituir oficialmente um hino municipal surgiu ainda quando exercia mandato como vereadora.

Segundo ela, sempre considerou uma lacuna o fato de a Câmara Municipal executar o Hino Nacional e o Hino de Sergipe em solenidades oficiais sem possuir uma composição que representasse a própria capital.
“Sentia essa falta desde a época da vereança. Quando assumi a Prefeitura, conversei com o secretário Paulo e entendemos que Aracaju precisava do seu próprio hino. Fizemos tudo com transparência e por meio de concurso público.”
Letra celebra a identidade da capital
Emília Corrêa também elogiou a composição vencedora, destacando que a letra reúne elementos históricos, culturais e urbanísticos que ajudam a contar a trajetória da cidade.
Ela citou referências ao tradicional traçado urbano em formato de “tabuleiro de xadrez”, ao clima ensolarado, aos cajueiros, aos papagaios e ao sonho do fundador Inácio Barbosa.
“Achei lindo. A melodia e a letra retratam características muito próprias de Aracaju e ajudam a fortalecer a identidade da nossa cidade.”
Concurso reuniu 38 composições
O autor do hino oficial é o maestro José Gentil Leite, que recebeu prêmio de R$ 12 mil, além de troféu e certificado.

O concurso também premiou:
- 2º lugar: Odinezio Rozendo Santos;
- 3º lugar: Emerson Porto Santos, em coautoria com Edmael Tavares Santos.
A seleção foi conduzida por uma comissão formada por Patrícia Moreno, Gisane Monteiro, Allison Costa e Wando Lins, utilizando avaliação às cegas e votação independente, metodologia adotada para assegurar imparcialidade e qualidade técnica.
Maestro, compositor, arranjador, trompetista e tenente músico do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe, José Gentil Leite volta a ser reconhecido em concursos ligados à história de Aracaju. Há 21 anos, ele também foi premiado durante as comemorações pelos 150 anos da capital.
Patrimônio cultural fortalecido
Com a oficialização do hino, Aracaju encerra uma lacuna histórica existente desde sua fundação, em 1855.
Pela primeira vez, a cidade passa a reunir oficialmente os três principais símbolos cívicos municipais — bandeira, brasão e hino — fortalecendo ações de educação patrimonial, valorização da memória coletiva e promoção da identidade cultural entre as futuras gerações.
“A expectativa da administração municipal é que a composição passe a integrar solenidades oficiais e atividades pedagógicas da rede de ensino, tornando-se um elemento permanente da história e da cultura aracajuana”, enfatizou Paulo Corrêa, secretário de Cultura do município.
Fotos e Vídeo: TerritórioPress/RobertoVerona


