A Barragem Sindicalista Jaime Umbelino de Souza, localizada em São Cristóvão, na Região Metropolitana de Aracaju, entrou oficialmente em situação de alerta devido à redução do volume de água armazenado. A medida foi publicada pelo Governo de Sergipe nesta terça-feira (20), por meio da Portaria nº 43/2026, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac).
O reservatório, responsável por aproximadamente 30% do abastecimento de água da capital sergipana, chegou a 28,6% de seu volume útil, equivalente a 8,55 milhões de metros cúbicos, na segunda-feira (19). O percentual está abaixo do limite de 30% estabelecido para a classificação de alerta hídrico.
A situação chama atenção pela velocidade da redução. Em 19 de outubro de 2025, a mesma barragem armazenava 26,69 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 88% de sua capacidade útil.
Volume útil da barragem em outubro
| Data | Volume útil (%) | Água armazenada |
|---|---|---|
| 19/10/2025 | 88% | 26,69 milhões de m³ |
| 19/10/2026 | 28,6% | 8,55 milhões de m³ |
| Redução em um ano | 59,4 pontos percentuais | 18,14 milhões de m³ |
Fonte: Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac).
Observação: Em um ano, a barragem perdeu aproximadamente 68% do volume de água que armazenava em outubro de 2025.
Falta de chuva agravou a situação
Segundo a Semac, o volume da barragem vem diminuindo desde julho, em ritmo aproximado de quatro pontos percentuais ao mês. A redução está associada à estiagem e à evaporação da água, favorecida pelas temperaturas elevadas.
Entre maio e agosto, período tradicionalmente chuvoso, a Grande Aracaju registrou apenas 565 milímetros de precipitação. O volume ficou 35,9% abaixo da média histórica de 881 milímetros.
O governo também aponta possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as condições climáticas de Sergipe no período de 2026 a 2027.
A escassez de chuva não ficou restrita à capital. Cinco dos oito territórios sergipanos registraram precipitações abaixo das médias históricas neste ano: alto sertão, agreste, leste, Grande Aracaju e sul.
O que muda no abastecimento de Aracaju?
A situação da barragem merece atenção porque parte da água consumida pelos moradores de Aracaju vem desse reservatório, alimentado pelo rio Poxim Açu.
De acordo com os dados do governo estadual, aproximadamente 30% do abastecimento da capital depende da barragem. Os outros 70% são provenientes da Adutora do São Francisco.
A declaração de alerta não significa, por si só, a suspensão imediata do fornecimento de água. Entretanto, indica que o reservatório atingiu um nível que exige acompanhamento mais rigoroso e medidas preventivas.
A portaria também estabelece providências a serem adotadas pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), responsável pela captação, e pela concessionária Iguá Sergipe.
O anúncio ocorre em um momento de reclamações de moradores de Aracaju sobre interrupções no abastecimento em diferentes bairros. Não há, porém, informação que permita atribuir diretamente essas ocorrências à redução do volume da barragem.
Governo determina fiscalização e acompanhamento quinzenal
Com a publicação da portaria, a Semac deverá comunicar a situação ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe, ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh) e aos usuários autorizados a captar água.
O documento prevê reuniões quinzenais da Sala de Situação para acompanhar a escassez hídrica, além da continuidade do monitoramento diário do reservatório.
A fiscalização de captações irregulares também deverá ser intensificada, com possibilidade de embargo das atividades de usuários sem outorga.
A secretária estadual do Meio Ambiente, Ingrid Cavalcanti Feitosa, afirmou que o acompanhamento permite identificar antecipadamente a redução dos volumes e comunicar os órgãos responsáveis para a adoção de providências.
Entenda os níveis de segurança hídrica
A Semac utiliza quatro classificações para acompanhar a disponibilidade de água nos reservatórios estaduais:
| Classificação | Volume útil |
|---|---|
| Normal | Acima de 50% |
| Atenção | De 30% a 50% |
| Alerta — situação atual | De 10% a 30% |
| Emergência | Abaixo de 10% |
O gerente de Gestão e Segurança Hídrica da Semac, João Carlos Rocha, explicou que a passagem para o nível de alerta exige maior atenção dos órgãos responsáveis.
“Quando o volume fica abaixo de 30%, a barragem passa a exigir acompanhamento mais próximo. Nossas equipes fazem diariamente a leitura das réguas e atualizam os dados no SERhidro”
A população pode consultar os níveis dos reservatórios, acompanhar o histórico de armazenamento e acessar informações sobre os recursos hídricos de Sergipe pelo portal SERhidro.
A íntegra da Portaria nº 43/2026 também está disponível para consulta.
Roberto Verona com informações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac).





