Terça-feira, 15 de setembro de 2026 · Aracaju/SE MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Pesquisa aponta altos índices de ansiedade, depressão e insônia entre jornalistas brasileiros

Estudo da Fundacentro e da Fenaj alerta para impactos das condições de trabalho e do assédio na saúde mental da categoria

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Pesquisa aponta altos índices de ansiedade, depressão e insônia entre jornalistas brasileiros
48% dos jornalistas relatam insônia e 50% enfrentam depressão - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Com informações da Agência Brasil

Uma pesquisa sobre as condições de trabalho dos jornalistas brasileiros identificou índices elevados de problemas relacionados à saúde mental e situações de violência no ambiente profissional. Entre os participantes, 50% apresentaram sintomas relacionados à depressão e 48% relataram sintomas de insônia.

O levantamento Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil foi realizado pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e divulgado nesta segunda-feira (14).

Ao todo, 257 jornalistas de diferentes regiões do país responderam a um questionário online.

Entre os profissionais pesquisados, 36% apresentaram sintomas relacionados à ansiedade. No caso da depressão, além dos 50% que registraram algum nível de sintomas, 9% foram classificados na faixa severa e 16% na extremamente severa, segundo o levantamento.

Insônia e consumo de álcool

Os problemas de sono também aparecem com frequência entre os participantes. A pesquisa registrou sintomas de insônia em 48% dos jornalistas ouvidos.

Outro indicador analisado foi o consumo de bebidas alcoólicas. O estudo apontou que 21,5% apresentaram padrões classificados como uso de risco ou nocivo de álcool. Em 1,2% dos casos, os resultados indicaram possível dependência.

As pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, responsáveis pelo trabalho, relacionam os resultados às condições enfrentadas no exercício da profissão, incluindo ritmo intenso, pressão e exposição a riscos psicossociais.

Assédio moral foi relatado por pelo menos 26%

O ambiente de trabalho também aparece entre os fatores analisados. Pelo menos 26% dos participantes afirmaram ter sido vítimas de assédio moral. Conforme os critérios adotados na análise, esse percentual pode chegar a 37%.

Cerca de 30% dos jornalistas também relataram experiências de cyberbullying.

A percepção de falta de suporte aparece em outro dado: 61% dos entrevistados consideraram insuficiente o apoio recebido de colegas e superiores no ambiente profissional.

Para as pesquisadoras, a combinação de pressão, violência psicológica e baixo suporte pode ampliar os riscos à saúde mental dos trabalhadores.

A presidente da Fenaj, Samira de Castro Cunha, avalia que condições caracterizadas por alta demanda, menor controle sobre as atividades e pouco suporte social podem afetar tanto o bem-estar dos profissionais quanto o exercício do jornalismo e a qualidade da informação oferecida à sociedade.

O relatório aponta a necessidade de medidas de prevenção e de melhoria das condições de trabalho por parte de empregadores, entidades representativas e gestores públicos.

Acesse o Retalório Técnico da Pesquisa AQUI

Fonte: Agência Brasil