Retomada da Fafen, plataformas em águas profundas e megaestrutura de gás colocam Sergipe no centro da nova estratégia energética do Brasil
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Sergipe nesta sexta-feira (29) marcou um dos maiores anúncios de investimentos da história recente do estado, reunindo ações estratégicas nas áreas de energia, indústria, geração de empregos e desenvolvimento econômico regional. Em agenda realizada na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, Lula confirmou mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras até 2030, além de destacar novos avanços estruturantes ligados à indústria, infraestrutura energética e fortalecimento da economia nordestina.
O pacote bilionário coloca Sergipe no centro da nova política energética nacional, com projetos capazes de transformar o estado em um dos principais polos de petróleo e gás do país. A retomada da Fafen-SE, os investimentos em águas profundas na Bacia Sergipe-Alagoas e a previsão de cerca de 28 mil empregos diretos e indiretos reforçam a dimensão econômica e social da passagem presidencial pelo estado.
Durante o discurso em Sergipe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também fez críticas ao processo de privatização e ao desmonte de ativos da Petrobras em governos anteriores. Segundo ele, houve uma tentativa de enfraquecer a estatal ao longo dos últimos anos.

“O governo daquela época tinha o objetivo de desmoralizar a Petrobras para vender a Petrobras. Quando não conseguiram vender, foram vendendo por pedaços, foram fatiando, tentaram até mudar de nome. E eu pergunto: o que o país ganhou com a privatização da nossa BR Distribuidora?”, Uma das redes mais extraordinárias de distribuição de combustível. afirmou Lula.
O presidente ainda destacou a importância estratégica da companhia para o desenvolvimento econômico nacional e defendeu a retomada dos investimentos da estatal em áreas consideradas essenciais para o crescimento do país.
“Nunca antes na história do Brasil, Sergipe recebeu a quantidade de investimento que está recebendo até 2030. Está de volta a Fafen-SE do povo de Sergipe. Olhem como está esse estado hoje. E vamos conversar sobre a evolução de Sergipe daqui a cinco, seis ou 10 anos com os investimentos que vão ser feitos aqui”, afirmou Lula durante o evento.

A cerimônia também marcou a assinatura dos contratos dos navios-plataformas SEAP-1 e SEAP-2, estruturas que irão operar em águas ultraprofundas da Bacia Sergipe-Alagoas e que devem transformar Sergipe no maior produtor de petróleo do Nordeste.
Sergipe pode liderar produção de petróleo no Nordeste
O projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) concentra mais de R$ 60 bilhões em investimentos e representa uma das maiores apostas da Petrobras para ampliar a produção nacional de óleo e gás natural nos próximos anos.
A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que cada plataforma terá capacidade de produção de 120 mil barris de petróleo por dia. Juntas, as unidades poderão produzir 240 mil barris diariamente, além de processar cerca de 22 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

“Isso transforma Sergipe no maior estado produtor do Nordeste. Isso gera 25 mil empregos entre diretos e indiretos apenas relacionados a essa produção”, afirmou a executiva.
Segundo a Petrobras, as plataformas contarão com uma tecnologia considerada inédita no setor: unidades embarcadas de processamento de gás natural em alto-mar, solução que reduz custos logísticos e amplia a eficiência operacional.
O início da produção de petróleo está previsto para 2030, enquanto a exportação de gás natural deve começar em 2031.
Retomada da Fafen simboliza nova fase industrial
A passagem de Lula por Sergipe também simbolizou a retomada operacional definitiva da Fafen-SE após anos de paralisação.
A fábrica havia sido fechada em meio ao processo de desinvestimentos da Petrobras em 2018. Em seguida, a unidade foi arrendada ao grupo Unigel, que interrompeu as operações em 2023 alegando inviabilidade econômica devido ao alto preço do gás natural.
Após acordo firmado em 2025, a Petrobras reassumiu o controle das fábricas de fertilizantes e retomou a produção.

A unidade de Sergipe voltou a produzir amônia em dezembro de 2025 e iniciou a fabricação de ureia em janeiro deste ano.
A planta possui capacidade de produção de 1.800 toneladas diárias de ureia, o equivalente a aproximadamente 7% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.
Atualmente, a retomada da Fafen-SE já gera cerca de 530 empregos diretos e aproximadamente 1.500 indiretos.
Fertilizantes e soberania nacional
Durante o evento, a presidenta da Petrobras afirmou que a retomada da produção de fertilizantes faz parte de uma estratégia nacional para ampliar a autonomia brasileira no setor.
“A Fafen daqui vai produzir 7% da demanda de fertilizantes nitrogenados do Brasil. O que permitiu isso foi o aumento da produção de gás natural e a redução do preço do gás, tornando essas plantas economicamente viáveis”, afirmou Magda Chambriard.
Os fertilizantes nitrogenados são considerados essenciais para o agronegócio, pois fornecem nitrogênio para o desenvolvimento das plantas e impactam diretamente a produtividade agrícola.
Segundo a Petrobras, o objetivo é tornar o Brasil autossuficiente no setor a médio e longo prazo.
Gasoduto, poços submarinos e megaestrutura logística
Além das plataformas, o projeto prevê uma ampla infraestrutura de produção e escoamento de gás natural.
Entre as obras previstas estão:
- Construção e interligação de 32 poços submarinos;
- Implantação de gasoduto de aproximadamente 134 quilômetros;
- Estruturas submarinas de controle e segurança;
- Ampliação do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB).
A Petrobras estima que o empreendimento possa gerar cerca de R$ 33 bilhões em participações governamentais ao longo de 20 anos.
A expectativa da estatal é praticamente dobrar a participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural até 2035, saindo dos atuais 16% para 31%.
Árvores de Natal Molhadas serão usadas nos poços submarinos
A Petrobras informou ainda que já iniciou as licitações para fornecimento das chamadas Árvores de Natal Molhadas (ANMs), equipamentos submarinos essenciais para o controle da produção de petróleo.
As estruturas funcionam como sistemas de segurança instalados nos poços submarinos, permitindo controlar pressão, temperatura e vazão do óleo extraído.
Em caso de falha ou vazamento, as válvulas do sistema conseguem interromper automaticamente a produção, funcionando como uma barreira de proteção operacional.
Descomissionamento movimentará mais R$ 12,5 bilhões
Além dos novos projetos de exploração, Sergipe também receberá investimentos ligados ao processo de descomissionamento de plataformas antigas em águas rasas.
Segundo a Petrobras, cerca de R$ 12,5 bilhões deverão ser movimentados até 2035 em operações de vedação de poços, retirada de estruturas e desmontagem de equipamentos marítimos.
O projeto envolve 26 plataformas e 169 poços, com previsão de geração de aproximadamente 950 empregos diretos e forte impacto na cadeia de fornecedores locais.
Terminal marítimo ganha importância estratégica
O Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), em Sergipe, também deve assumir papel central nos projetos da Petrobras.
A estrutura será responsável pelo suporte logístico das fases de instalação, operação e manutenção das plataformas, além de atender as demandas do processo de descomissionamento.
A Petrobras informou que novos investimentos já estão em andamento para ampliar a capacidade operacional do terminal.
Fábio Mitidieri chama anúncio de “momento histórico”
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, classificou os investimentos anunciados como um marco histórico para o estado.

“Hoje é um dia de festa, um dia de celebrar uma conquista histórica pra Sergipe. Essa é uma luta de várias mãos. Não é uma luta apenas de um parlamentar ou de uma diretoria. É a luta do povo sergipano”, declarou.
Para o governo estadual, os investimentos devem provocar impactos diretos na geração de empregos, arrecadação, expansão industrial e atração de novas empresas para Sergipe.
Nova fase econômica para Sergipe
Com os anúncios realizados nesta sexta-feira, Sergipe passa a ocupar posição estratégica na política energética brasileira.
A combinação entre exploração em águas profundas, expansão da cadeia do gás natural, retomada da indústria de fertilizantes e fortalecimento logístico coloca o estado diante de uma transformação econômica de longo prazo.
Os investimentos previstos até 2030 podem redefinir o papel de Sergipe no cenário industrial do Nordeste e consolidar o estado como uma das principais fronteiras energéticas do Brasil.
O Território Nordeste agradece à Petrobras pelo apoio logístico disponibilizado para o deslocamento de nossa equipe de reportagem até a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, durante a cobertura da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do anúncio dos investimentos históricos no estado.
Nossa equipe também registra o acolhimento e a receptividade da assessoria de comunicação da Petrobras, vinda do Rio de Janeiro, que acompanhou os trabalhos de imprensa durante toda a agenda oficial na Fafen.


