Capital sergipana abre consulta pública para projeto considerado pioneiro na América Latina, que prevê uso de drones para transporte de pequenas cargas sem substituir os entregadores
Aracaju pode se tornar uma das primeiras cidades da América Latina a operar uma rede pública de droneports para entregas urbanas. A Prefeitura abriu nesta sexta-feira (17) a consulta pública que vai subsidiar a futura concessão do serviço, iniciativa que pretende incorporar drones à logística da cidade sem retirar dos motoboys o protagonismo na última etapa das entregas.
A consulta permanecerá aberta até 19 de agosto, período em que moradores, empresas, especialistas e representantes da sociedade poderão apresentar sugestões para aperfeiçoar o projeto antes da publicação do edital de concessão.
Mais do que introduzir uma nova tecnologia, a proposta busca reorganizar a logística urbana, reduzir deslocamentos, melhorar a mobilidade e criar uma infraestrutura inédita voltada tanto para os drones quanto para os profissionais que atuam diariamente nas entregas.
Como funcionarão os droneports
Na prática, os drones não substituirão os entregadores. O modelo desenhado para Aracaju prevê uma operação integrada.

Os drones realizarão os percursos mais longos transportando pequenas cargas entre pontos estratégicos da cidade. Ao chegarem aos droneports, os produtos serão entregues aos motoboys, responsáveis pelo trecho final até o consumidor.
Com isso, a expectativa é reduzir o tempo de deslocamento, diminuir a circulação de motocicletas em trajetos extensos e tornar as entregas mais rápidas e eficientes.
Além da função logística, os droneports também deverão oferecer estrutura de apoio aos profissionais, incluindo:
- áreas de descanso;
- banheiros;
- pontos de hidratação;
- acesso à internet;
- espaços de apoio operacional.
A proposta busca melhorar as condições de trabalho da categoria enquanto incorpora uma nova tecnologia ao sistema de entregas.
Projeto aposta na inovação sem eliminar empregos
Durante o lançamento, a prefeita Emília Corrêa afirmou que a implantação da rede foi planejada para ampliar oportunidades e não substituir trabalhadores.
“A gente pode viver até sem um drone, mas não vive sem um motoboy. O projeto une inovação, segurança, redução do trânsito e novas oportunidades de trabalho, principalmente para os jovens que poderão ser capacitados para esse novo mercado.”

Segundo a prefeita, a tecnologia deverá atuar como complemento da atividade desempenhada pelos entregadores, tornando o sistema mais eficiente sem excluir quem já trabalha no setor.
Consulta pública é etapa obrigatória antes da concessão
De acordo com o secretário municipal da Articulação, Parcerias e Investimentos, Fábio Uchôa, a consulta pública representa uma fase essencial para a estruturação do processo de concessão.

A intenção é receber sugestões da população, de especialistas em mobilidade, empresas de tecnologia e representantes do setor logístico para aperfeiçoar o projeto antes da abertura da licitação.
Os estudos técnicos foram desenvolvidos pela empresa DronePortos Brasil, selecionada por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), responsável por elaborar a proposta de organização do espaço aéreo de baixa altitude da capital.
Cinco regiões estão entre as primeiras previstas
Os estudos apontaram inicialmente 16 locais com potencial para receber os equipamentos.
Na primeira etapa, os pontos de apoio deverão contemplar bairros considerados estratégicos para a logística urbana:
- Mosqueiro;
- Industrial;
- Coroa do Meio;
- Aruana;
- 13 de Julho.
A implantação definitiva dependerá da conclusão da consulta pública e da futura concessão.
Aracaju busca protagonismo nacional na logística aérea
Para o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico e da Inovação, Dilermando Júnior, o projeto coloca Aracaju em posição de destaque no cenário da inovação.
Segundo ele, a capital sergipana será a primeira cidade da América Latina a estruturar uma concessão pública voltada especificamente para droneports.

Além da implantação dos equipamentos, a empresa vencedora deverá investir na requalificação dos espaços, incluindo áreas de convivência, pequenas praças e estruturas de apoio destinadas aos motoboys.
Categoria vê oportunidade de crescimento
A iniciativa também recebeu apoio dos representantes dos profissionais que atuam no transporte por motocicletas.
O presidente do Sindicato dos Mototaxistas, Motofretes, Moto Entrega e Moto App de Aracaju, Thiago Paranhos, afirmou que a tecnologia pode ampliar o mercado de trabalho da categoria.
Segundo ele, a integração entre drones e motoboys permitirá aumentar a capacidade de atendimento sem retirar espaço dos profissionais, que continuarão sendo parte fundamental da cadeia logística.
Próximo passo será a licitação
Encerrada a consulta pública, a Prefeitura irá analisar as contribuições recebidas antes de finalizar o modelo de concessão.
Caso o cronograma seja mantido, Aracaju poderá inaugurar um novo modelo de logística urbana, unindo tecnologia, mobilidade e infraestrutura para entregas de pequenas cargas, em um projeto que pretende posicionar a capital sergipana como referência nacional na utilização de drones em ambiente urbano.


