Trombonista teve trajetória marcada pela convivência com mestres da música brasileira e por mais de seis décadas dedicadas à preservação do choro e da gafieira
Morreu nesta sexta-feira (26), aos 83 anos, o trombonista Zé da Velha, um dos principais nomes do choro e da música instrumental brasileira. Nascido em Aracaju (SE), o músico estava internado após sofrer uma queda em casa, que resultou em uma cirurgia na bacia, e teve como causa da morte uma infecção bacteriana, segundo informações divulgadas pelo g1.
José Alberto Rodrigues Matos nasceu em Aracaju no dia 4 de abril de 1942 e teve contato com a música ainda na infância, influenciado pelo pai, flautista e saxofonista amador. Ainda jovem, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua trajetória profissional no trombone aos 15 anos, primeiro no modelo de pistão e, posteriormente, no trombone de vara, instrumento que marcaria sua identidade musical.
A carreira ganhou projeção precoce quando passou a integrar o conjunto Velha Guarda, convivendo com nomes fundamentais da música brasileira como Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Apesar da pouca idade, a proximidade com músicos mais experientes lhe rendeu o apelido “Zé da Velha”, que o acompanharia por toda a vida artística.
Presença constante em rodas de choro, gafieiras e gravações históricas, Zé da Velha construiu uma trajetória sólida ao lado de artistas como Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Abel Ferreira, Copinha e Paulo Moura. Também colaborou com grandes vozes da música popular brasileira, entre elas Beth Carvalho, Martinho da Vila, Luiz Melodia e Elza Soares, ampliando o alcance do choro para diferentes públicos e gerações.
Nos anos 1990, formou com o trompetista Silvério Pontes uma das parcerias mais celebradas da música instrumental, conhecida como “a menor big band do mundo”. A dupla lançou discos como Só Gafieira!, Tudo Dança e Ouro e Prata, referências no repertório contemporâneo do gênero. Silvério Pontes prestou homenagem ao parceiro nas redes sociais: “Construímos uma amizade profunda, um amor de pai para filho. Ele dizia que eu era o filho mais velho”.
Zé da Velha também manteve uma relação próxima com o Conjunto Casuarina, grupo ligado à renovação do samba e do choro a partir dos anos 2000, que destacou a importância do músico em nota publicada nas redes sociais.
A morte de Zé da Velha representa uma perda significativa para a cultura brasileira. Em nota, a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e o Conselho Estadual de Cultura de Sergipe lamentaram o falecimento e destacaram o legado do artista. “Zé da Velha dedicou sua vida à arte, tornando-se referência nacional no trombone e levando o nome de Sergipe para palcos de todo o país”, afirmou o conselho. Seu legado permanece como patrimônio vivo da música instrumental brasileira e inspiração para novas gerações de músicos.



